
A enfermagem na urgência e emergência atua na avaliação do paciente, na identificação de prioridades, na prestação de cuidados e no acompanhamento da resposta ao tratamento. Além disso, organiza a assistência, comunica mudanças à equipe e ajuda a prevenir danos durante o atendimento.
Esse trabalho exige conhecimento científico, capacidade de observação e decisões compatíveis com as atribuições de cada profissional. Enfermeiros, técnicos e auxiliares integram a equipe de enfermagem, mas possuem responsabilidades diferentes.
Para quem está em formação, compreender essas diferenças é essencial. A atuação segura depende de reconhecer a gravidade, trabalhar em equipe e respeitar a legislação, a capacitação e os protocolos do serviço.
Onde a enfermagem atua na urgência e emergência?
A equipe participa do cuidado em prontos-socorros, Unidades de Pronto Atendimento (UPAs), serviços de atendimento pré-hospitalar e outros ambientes que recebem pessoas com problemas agudos de saúde.
No atendimento pré-hospitalar (APH), a assistência pode acontecer em residências, vias públicas e locais de trabalho. Já nas unidades de saúde, o profissional dispõe de uma estrutura diferente, com fluxos próprios para avaliação, tratamento e encaminhamento.
Embora os cenários mudem, algumas necessidades permanecem: reconhecer riscos, acompanhar o paciente e garantir continuidade ao cuidado.
Por isso, o trabalho começa antes de um procedimento. Conferir equipamentos, conhecer os recursos disponíveis e compreender como solicitar apoio também fazem parte da preparação.
Como a enfermagem identifica quem precisa de prioridade?
Nos serviços que adotam classificação de risco, a prioridade considera a condição clínica e o protocolo utilizado. Assim, a ordem de chegada não determina, sozinha, quem receberá atendimento primeiro.
No âmbito da equipe de enfermagem, a classificação de risco e a priorização da assistência são atividades privativas do enfermeiro. A Resolução do Conselho Federal de Enfermagem (Cofen) nº 661/2021 exige capacitação específica no protocolo da instituição.
Essa avaliação reúne informações sobre a queixa, os sinais apresentados e outros critérios previstos no sistema adotado. Seu objetivo é reconhecer necessidades de atendimento prioritário.
Classificação de risco é diagnóstico?
Não. Classificar o risco não significa confirmar a doença nem encerrar a investigação.
Também não representa uma condição permanente. Se o paciente piorar enquanto aguarda, precisa comunicar a mudança à equipe para nova avaliação.
Em um exemplo hipotético, alguém que inicialmente relata desconforto leve pode desenvolver falta de ar durante a espera. Essa alteração exige atenção, mesmo que a classificação anterior tenha indicado menor prioridade.
O que compete ao enfermeiro?
A Lei nº 7.498/1986 atribui ao enfermeiro o planejamento, a organização, a coordenação e a avaliação da assistência de enfermagem.
A legislação também estabelece como atividades privativas os cuidados diretos de enfermagem a pacientes graves com risco de vida e os cuidados de maior complexidade técnica que exigem conhecimento científico e decisões imediatas.
Na prática, essas responsabilidades envolvem avaliar necessidades, definir cuidados de enfermagem, supervisionar a equipe e acompanhar os resultados.
Entretanto, a autonomia profissional possui limites legais. Um protocolo institucional deve respeitar esses limites; ele não transforma qualquer procedimento em atribuição de qualquer integrante da equipe.
Qual é a participação dos técnicos e auxiliares?
Técnicos e auxiliares participam da assistência conforme sua formação e suas competências legais, sob orientação e supervisão do enfermeiro.
Os técnicos executam ações assistenciais que não sejam privativas do enfermeiro. No Processo de Enfermagem, técnicos e auxiliares participam da implementação dos cuidados prescritos, da checagem e das anotações.
Portanto, reconhecer a contribuição desses profissionais não significa igualar suas atribuições. Distribuir tarefas com clareza protege o paciente e a equipe.
Como o Processo de Enfermagem funciona nesse cenário?
O Processo de Enfermagem é um método que orienta a avaliação, o julgamento clínico e a organização dos cuidados. A Resolução Cofen nº 736/2024 determina sua realização em todos os contextos onde ocorre cuidado de enfermagem.
Ele reúne cinco etapas relacionadas:
- Avaliação de Enfermagem: coleta inicial e contínua de informações.
- Diagnóstico de Enfermagem: identificação das necessidades de cuidado.
- Planejamento de Enfermagem: definição de prioridades, resultados e intervenções.
- Implementação de Enfermagem: realização dos cuidados planejados.
- Evolução de Enfermagem: avaliação dos resultados e revisão da assistência.
Na emergência, essas etapas acompanham a dinâmica do atendimento. O profissional pode precisar avaliar, intervir e reavaliar rapidamente.
Ao enfermeiro cabem, privativamente, o diagnóstico e a prescrição de enfermagem. Esses conceitos se referem ao campo do cuidado de enfermagem e não devem ser confundidos com autorização irrestrita para prescrever medicamentos.
Qual é o papel da enfermagem no atendimento pré-hospitalar?
No APH móvel, a enfermagem participa da assistência, do gerenciamento e das atividades previstas nas centrais de regulação, conforme a organização do serviço.
A Resolução Cofen nº 713/2022 diferencia a participação profissional nas modalidades de suporte:
- Suporte básico de vida: prevê, como composição mínima de enfermagem, técnico acompanhado do condutor.
- Suporte intermediário de vida: exige enfermeiro com técnico ou outro enfermeiro, além do condutor.
- Suporte avançado de vida: prevê enfermeiro na equipe com médico e condutor.
Essas definições precisam ser interpretadas no contexto da norma, da regulação e da estrutura efetivamente implantada.
Durante o atendimento e o transporte, a equipe acompanha o paciente, executa cuidados autorizados e transmite informações ao serviço receptor. Além disso, considera riscos da cena, como trânsito, violência e exposição a agentes biológicos.
Para a população, o acesso ao Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) ocorre pelo 192. Diante de uma emergência, siga as orientações da central.
Como a enfermagem contribui para a segurança do paciente?
A rapidez do atendimento precisa caminhar com medidas de segurança. Identificar corretamente o paciente, higienizar as mãos e verificar informações antes de administrar medicamentos são exemplos importantes.
Outras ações incluem:
- Conferir materiais e funcionamento dos equipamentos.
- Comunicar alergias e alterações clínicas relevantes.
- Prevenir quedas e lesões conforme o risco identificado.
- Registrar os cuidados e a resposta do paciente.
- Relatar incidentes pelos canais definidos no serviço.
Essas medidas também se aplicam ao ambiente pré-hospitalar, com adaptações às suas condições.
Uma identificação incompleta ou uma informação omitida pode comprometer etapas posteriores. Por isso, a segurança depende tanto da execução técnica quanto da organização do trabalho.
Por que comunicação e acolhimento são essenciais?
Uma passagem de cuidado clara informa o que aconteceu, quais alterações surgiram e quais intervenções foram realizadas. Assim, o próximo profissional consegue dar continuidade à assistência.
Os registros precisam acompanhar esse processo. Anotações objetivas e completas ajudam a reconstruir a evolução do atendimento e sustentam a comunicação entre equipes.
Ao mesmo tempo, acolher significa ouvir, explicar e respeitar. A pessoa atendida pode sentir medo, dor ou dificuldade para compreender o ambiente.
Preservar a privacidade, evitar exposição desnecessária e proteger informações pessoais são deveres éticos. Fotografias, comentários e compartilhamentos sobre pacientes exigem respeito às normas de sigilo e aos direitos envolvidos.
O que o estudante deve aprender para atuar com segurança?
A formação precisa desenvolver raciocínio clínico, comunicação e domínio das técnicas compatíveis com a futura atuação profissional.
Conhecer um procedimento pela leitura não equivale a estar capacitado para executá-lo. O estudante deve respeitar a supervisão e os limites definidos para sua atividade.
Além disso, não se deve aplicar automaticamente um protocolo de adultos a crianças ou bebês. Os atendimentos pediátricos e neonatais exigem conhecimentos e protocolos próprios.
Antes de iniciar uma prática supervisionada, procure conhecer o fluxo do serviço, os critérios para pedir ajuda e as responsabilidades de cada integrante. Quando surgir uma dúvida, comunique-a antes de agir.
Aviso educativo: este artigo apresenta uma visão geral da atuação profissional e não substitui formação, treinamento supervisionado ou protocolos institucionais.
Para transformar conhecimento em cuidado seguro, comece por três atitudes: conheça suas atribuições, consulte o protocolo aplicável e peça apoio sempre que a situação ultrapassar sua competência.